Québec City – Frio é uma questão de referencial

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Eu pensava que minhas experiências de inverno na Europa me dariam uma noção do que  é FRIO de verdade, aquele que dói até no pensamento. Doze dias experimentando o ‘friozinho acolhedor’ da cidade de Québec no Canadá foram suficientes para provar o quanto eu estava enganada.

Quando cheguei na cidade, nas vésperas do Carnaval de 2010, os termômetros marcavam em torno de -10°C, com sensação térmica de -14°C. Que delícia para uma garotinha que ama inverno, frio, neve, etc., pode-se dizer que eu estava no paraíso. Mas  isso não era nada perto dos -26°C com sensação térmica de -30°C e tantos que meu primo (a quem fui visitar) experimentou poucas semanas antes de eu chegar. Eu só não contava com um fenômeno comum no Canadá: ventos fortíssimos, que intensificavam a sensação de frio e transformavam o ato de caminhar na rua em um verdadeiro desafio de resistência física.

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Entretanto, com todo esse ‘inferno gelado’, tenho uma teoria que acabou se tornando uma espécie de filosofia de viagem: Frio não atrapalha passeios. O que atrapalha viagem é chuva. Basta vestir-se adequadamente. Sem os trajes ideais para baixas temperaturas, neve e chuva, as chances de passar sufoco sobem para 100%. Não é exagero.

Um exemplo: Havíamos nos preparado para dar um passeio na vizinhança onde meu primo morava. Depois de longos minutos calçando botas, luvas, vestindo casaco por cima de duas ou três camadas de roupa, tentando ajudar as crianças a se vestir também – o que torna a tarefa ainda mais lenta – quando colocamos os pés na calçada e começamos a caminhar em direção ao nosso destino, fui surpreendida com um belo banho gelado de um carro que passou em uma poça de neve derretida. Como eu estava vestindo calça jeans sobre uma legging de malha, tive que voltar ao apartamento imediatamente para trocar de roupa, pois era impossível continuar naquele frio estando vestida com roupa molhada. Se estivesse usando um traje impermeável, teria escapado dessa.

 A melhor coisa a se fazer é explorar os locais onde se pode experimentar o inverno que não temos por aqui. Durante o Carnaval, o povo quebecois (‘quebequense’) realiza um desfile de carros alegóricos iluminados e há eventos para adultos e crianças, onde podem apreciar grandes esculturas no gelo a céu aberto. No largo às margens do rio Saint Laurent, ao lado do castelo de Frontenac – onde atualmente funciona um hotel de luxo – os moradores da cidade e visitantes podem desfrutar de uma estrutura com atividades de inverno com tobogãs, esteiras, etc. Sem contar com as várias pistas de patinação espalhadas pela cidade. O pessoal se diverte muito!

Lá pelos últimos dias da viagem, a temperatura subiu e chegou até a -1°C. Parece brincadeira, mas uma vez que você experimenta o frio ‘insuportável’, -1°C é uma brisa! Nesse dia eu estava tomando sorvete em casa e fiquei tão feliz que o tempo estava BOM que saí para dar umas voltinhas pelas redondezas sem medo de virar picolé. Consegui até tirar as luvas por alguns minutos!

Foi no Canadá que finalmente pude observar os diferentes formatos dos floquinhos de neve, por que até então eu não conseguia acreditar que eles tinham aquele formato de estrela. É tão lindo que dá vontade de comer. Hã? É sério!!

Para quem não sabe, o estado do Québec fica na região sudeste do Canadá, e lá o idioma oficial é o francês. Em algumas cidades da província do Québec se fala inglês também, porém, na cidade de Québec, apesar de algumas pessoas entenderem e falarem inglês, para se visitar a cidade é recomendável falar algumas daquelas palavras-chave essenciais para viajantes em francês. Fiquei surpresa quando fui a uma grande loja de departamento e o vendedor mal conseguia compreender o que eu falava em inglês, quem dirá me responder. Graças a Deus meu primo estava comigo para traduzir tudo para o francês! O sotaque dos franco-canadenses é um pouco diferente do francês da França.

Nessa região eles prezam muito suas raízes e costumes e, ao contrário do que muita gente deve pensar [eu pensava!], o Canadá não é um EUA mais frio e civilizado. A cultura deles é rica e percebe-se a diferença entre os dois países até nos valores, modo de tratar as pessoas e nos programas de TV.

Os canadenses de Québec são bem reservados, mas muito educados e solícitos. Acho que eles não herdaram aquele probleminha de mau humor do inverno, típico dos franceses. Hihihi.

Para quem quiser conhecer mais sobre a vida na cidade de Québec, recomendo dar uma olhadinha no blog muito bacana do meu primo Alexei, onde ele conta em detalhes as aventuras da vida cotidiana de sua família desde que imigraram para o Canadá em 2010. Confiram: Rapadura, Please!

Clique nas imagens para ampliá-las.

1| Vista das margens do rio Saint Laurent. 2| Largo nas proximidades do castelo de Frontenac. 3| Tobogã

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4| Vista da cidade do outro lado do rio Saint Laurent 5| Entrada da Vieux Québec (cidade velha) 6| Vieux Québec

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7| Castelo de Frontenac, cartão postal da cidade 8| Orla do rio 9| Muralha separando Vieux Québec da parte mais nova da cidade

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10| Reconhecem esse monumento? Esse é o símbolo das Olimpíadas de Inverno de 2010! 11| Prefeitura de Québec 12| Na época em que estive lá, a neve acumulada já não estava tão alta.

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13| Área residencial da cidade 14| Um passeio pelas ruas pode se tornar uma aventura (ou um sufoco!) 15| Bancos do parque quase cobertos de neve!

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16| Matuto que é matuto de verdade tem que pegar na neve e fazer bolinha 😉 17| Como eu costumo brincar: canadenses e americanos não constróem, brincam de Lego em escala humana. 18| Quando a neve vai ficando suja é uma melequeira geral

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19| Nem a parada de ônibus dá conta do frio! Rsrs 20| Esses cestos azuis são obrigatórios para separar o material reciclável para a coleta 21| Centro de Informação Turística

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22| Patinar no Canadá é como dançar forró no Ceará quase todo mundo sabe 23| Área muito agradável, perto de Vieux Québec 24| A vista aérea é impressionante!

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25| Não tem tempo ruim para quem quer praticar esportes 26| Restaurante em Vieux Québec

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Metas de leitura para 2013

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Considerando que já estou atrasada em quase um mês (Fevereiro já está batendo na porta), pode-se considerar minha listinha um tanto ambiciosa, mas como sou cearense, desisto é uma pinóia! Rsrs.

Grande parte da minha lista se resume aos livros que não consegui ler no ano passado, outros que recebi indicações recentemente e alguns clássicos (tarefa de casa, sabe como é).

Primeiro preciso esclarecer que minhas preferências literárias são bem definidas, porém procuro me educar sobre o que não é meu interesse principal, para não ficar bitolada.

Sou apaixonada por romances históricos, literatura russa e inglesa, histórias com conflitos psicológicos, questões sociais e filosóficas. Até gosto de alguns romances contemporâneos e procuro não ter preconceito com o que está na moda. De vez em quando a gente se surpreende com alguma coisa muito boa.

Este ano, estabeleci uma regra que pretendo seguir religiosamente: intercalar a leitura dos meus adorados romances de entretenimento com um pouco de literatura acadêmica.   Por mais que se diga que qualquer leitura vale a pena, a linguagem dos textos técnicos é bem diferente, expande nossos horizontes tanto em relação ao conteúdo em si, como ao desenvolvimento da nossa capacidade de escrever, falar e nos comunicar bem.

A lista não está em ordem de preferência nem em uma sequência obrigatória. Até por que escolho cada livro para ler de acordo com meu estado de espírito no momento. Por isso geralmente leio três, quatro obras ao mesmo tempo.

  • Kill your Friends (John Niven) – Não sei o que esperar desse romance do século 20, que já foi comparado a Psicopata Americano. Trata-se de um executivo da indústria fonográfica que passa por cima de tudo e de todos para conseguir o que quer. Se for uma leitura muito doida a la Cosmópolis (Don DeLillo), acho que vou gostar.
  • Agent 6 (Tom Rob Smith) – É o terceiro volume da série Criança 44. Se seguir a linha dos dois primeiros livros da série, será fantástico. O autor escrevia roteiros para a TV britânica, por isso sua narração é dinâmica, os acontecimentos acelerados, de tirar o fôlego. A trilogia conta a história de um ex oficial da MGB, polícia secreta russa, que à medida que tenta desvendar um assassinato em série, se distancia de sua fé no movimento comunista e passa a ser visto como inimigo do Estado. Mal posso esperar para ver como será o desfecho dessa história!
  • Os Irmãos Karamázov (Fiódor Dostoiévski) – Ainda falta vários títulos para completar a obra do Dosto [íntimo assim, é meu escritor favorito, dá licença?] , mas me sinto negligente como fã, por ter procrastinado tanto para ler a obra prima do mestre. Não vou comentar o$ motivo$$$… 😉 Estou ansiosa para pôr minhas mãos e olhos nessa preciosidade e compartilhar minhas impressões com vocês!
  • O Eterno Marido (Fiódor Dostoiévski) – Este entrou automaticamente para a lista simplesmente pelo fato de fazer parte da obra do Dostoiévski, mas pulou várias posições por ter recebido ótimas referências de uma amiga querida. Vamos ver…
  • Dublinenses / Retrato do Artista Quando Jovem (James Joyce) – (Comprei uma edição “Dois em Um”) As melhores indicações de leitura para mim sempre vêm dos próprios escritores. Como assim? Muitas vezes eles fazem referências a seus autores favoritos ou de seus personagens ao longo das histórias, e foi assim que me interessei por James Joyce. Hemingway menciona Joyce várias vezes no livro autobiográfico Paris é uma Festa. Sei que a escrita de James Joyce poder ser desafiadora, mas decidi ver qual é. Me desejem boa sorte!
  • Casa Grande e Senzala (Gilberto Freyre) – Indicação da minha tia historiadora, por que ela sabe o quanto sou interessada na história da formação da nossa sociedade. Da série “Nunca te li, sempre te amei.”
  • Os Miseráveis (Victor Hugo) – Nada como um de meus musicais favoritos prestes a estrear nos cinemas para me incentivar a começar a leitura desse clássico!
  • Na Estrada (Jack Kerouac) – Vi o filme, que foi dirigido pelo aclamado diretor brasileiro Walter Salles, mas como toda adaptação nunca consegue ser 100% fiel à história original, vou conferir direto na fonte. Até por que, uma das coisas que mais me fascina na literatura é a linguagem única de cada escritor. E no caso do Kerouac, especialmente, é imperdível.
  • A Hospedeira (Stephenie Meyer) – Não me interessei por essa história até ver o trailer do filme, que vai estrear este ano. Talvez minha empatia pela atriz protagonista Saoirse Ronan, que na minha opinião é uma das melhores atrizes da nova geração – tenha ajudado a aumentar meu interesse na história.
  • A Pequena Dorrit (Charles Dickens) – Vi a adaptação desse romance para a TV, produzida pela BBC e fiquei apaixonada pela história. Romance de época, com muito derramamento de lágrimas, injustiças, drama, etc. Tudo que eu gosto em literatura! Também é uma boa forma de ser apresentada à obra de Charles Dickens, já que nunca li nenhum de seus livros.

Não incluí na  lista os livros que estou lendo atualmente por que pretendo escrever um post específico para eles. São os seguintes: Jane Eyre (Charlotte Brönte), Memória da Casa dos Mortos (Fiódor Dostoiévski), Doomed Love (Virgílio), 1822 (Laurentino Gomes) e The Bronze Horseman (Paullina Simons).

O que acharam da minha seleção? Vocês também têm uma meta de leitura para 2013?Quais títulos entraram para sua lista? Deixem suas opiniões, indicações e dúvidas!

Apresentando as Novas Páginas do Lelê Viajando

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Olá, viajantes, tudo beleza com vocês?

Ando meio ausente do blog, eu admito [minha culpa, somente minha], mas é por várias boas causas, assunto pessoal, enfim…

Perceberam quatro novas páginas na barrinha de links no cabeçalho? Sim, caros amigos, estou expandindo as áreas de interesses do blog.

O motivo é que eu viajo demais. Mas é em idéias! Meu cérebro é um louco, pensa  demais, pensa sobre tudo o tempo inteiro. Esse maluco não me dá trégua um segundo do dia.

Acho que a melhor maneira de aliviar um pouco esse avalanche de pensamentos é escrevendo – e por que não compartilhando – afinal, divertido mesmo é trocar idéias. Assim, ao invés de alugar meus pobres contatos do facebook com minhas opiniões, abri esse espaço aqui mesmo. Que tal?

Para quem não sabe, além de viagens, existem outras atividades que me interessam igualmente. Literatura, Música, Arquitetura, Filmes, Culinária, enfim, a lista é looonga…

Apresento-lhes as novas seções do Lelê Viajando:

Viajando na Leitura – Sou apaixonada por leitura, leio tudo, livro, revista, jornal, blogs, outdoor, tudo que tiver um monte de letrinhas juntas já desperta meu interesse e curiosidade. Aqui postarei meus comentários – sem pretensão alguma de ser crítica literária ou de fazer algum sentido.

Viajando na Música – Música está para mim assim como o sofrimento está para o poeta. É indissociável. É meu alimento, meu conforto, meu combustível e minha inspiração. Não me prendo a rótulos, amo a música por que amo as melodias e as sensações que elas despertam.

Viajando na Arquitetura – Profissão que escolhi para seguir carreira e admirar. Aqui depositarei meus dois centavos de pensamentos, com leveza e sem compromisso, apenas reflexões sobre qualquer coisa relacionada ao assunto que me despertar o interesse e curiosidade.

Viajando na Maionese – Aqui escreverei sobre assuntos aleatórios, tudo junto e misturado!

Sejam bem-vindos novamente e, por favor, viajem no Lelê Viajando!

Obrigada,

Alê

A Pedinte Poliglota em Berlim

Fazer mochilão pela Europa é uma das experiências mais ricas de viagem que se pode ter. Primeiro por que quem se propõe a fazer esse tipo de viagem geralmente está disposto a abrir mão da comodidade que os passeios organizados por agência de turismo em favor de uma vivência mais real e mais próxima do dia-a-dia das pessoas que vivem no local que se pretende visitar.

Bom, nem sempre essas experiências são tão agradáveis. Nada mais REAL, especialmente para nós brasileiros, do que estar passeando pelas ruas e ser surpreendido por um mendigo pedindo esmola!

Qual foi nossa surpresa, em plena Berlim, capital de um dos países mais desenvolvidos da Europa, quando durante nossa visita ao famoso Portão de Brandenburgo (foto) fomos abordadas por uma senhora com aspecto bem modesto, roupas velhas e expressão abatida. Ela falou em alemão algo que, obviamente não entendemos, porém entendemos o tom de súplica e a mão estendida. Isso conhecemos perfeitamente. Primeiro ficamos impressionadas com o fato de encontrarmos pedintes em Berlim, que é uma cidade grande, desenvolvida, mas não tanto quanto Nova York e Paris, por exemplo, e conhecida pela qualidade de vida. Gesticulamos que não estávamos entendendo o que ela dizia. Então a senhora prontamente repetiu seu discurso em seu idioma original (provavelmente albanês), continuamos sem entender. Ela então perguntou novamente em inglês, depois em francês. A essa altura já não estávamos mais impressionadas com o fato de existir pedinte na Alemanha, e sim da mulher ser poliglota! Acho que, assim como os garotinhos que vendem queijo nas praias de Fortaleza, ela aprendeu “na marra” outros idiomas, para aumentar suas chances de conseguir alguma coisa para sobreviver. 😦

Assim como as demais grandes cidades da Europa, Berlim também recebe sua cota de imigrantes ilegais em busca de uma vida melhor. A maioria desses imigrantes vêm do norte da África e do leste Europeu. Infelizmente isso é uma realidade não apenas aqui no Brasil.

Diário de Viagem

Desde que planejei minha primeira grande viagem – um intercâmbio de três meses na Austrália em 2002 – adquiri um hábito que se tornou indispensável nas minhas aventuras posteriores e venho tentando aprimorá-lo a cada novo roteiro: manter um diário de viagem.

Não se trata de sentimentalismos, coisa que minha natureza prática não permite. Na verdade, é um registro de todos os preparativos desde as pesquisas de preços de vôos, hospedagem, lista de compras, atrações interessantes, etc. até o consumo diário durante a viagem. Então, a primeira coisa que faço quando decido viajar é comprar um caderninho de anotações, desses que cabe na bolsa (e no bolso).

Um dos motivos que me levaram a adotar o diário de viagem foi o tamanho exagerado e pouco prático dos guias de viagem. Semanas antes de embarcar, estudo o guia inteiro, tomando nota das coisas que me interessam, assim, não preciso ficar carregando peso extra durante os passeios.

Costumo dividir meu diário de viagem em três partes: antes, durante e depois (já disse que sou extremamente metódica?).

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[Fotos]: Viena – Áustria 2008

Ai gente, que tristeza! Quando fui selecionar as fotos de Viena para postar aqui, percebi que grande parte delas não estava no arquivo. Muitas se perderam quando meu HD antigo pifou e não consegui encontrar meu backup. Portanto, serão pouquinhas fotos, ok?

Tem muitos lugares dos quais não lembro mais o nome (já faz mais de quatro anos!), mas dei uma pesquisada nos meus arquivos e diário de viagem e no amigo google, e consegui relembrar muitas coisas!

Palácio de Schönbrunn

É conhecido como o Palácio de Versailles de Viena. Foi construído como residência para a imperatriz Eleonora Gonzaga, no século XV, e foi habitado posteriormente por diversas gerações da família real austríaca, incluindo Dona Leopoldina de Habsburg, esposa de D. Pedro I. O Palácio de Schönbrunn é um dos monumentos mais visitados em Viena e é um importante centro cultural para a cidade.

Saiba mais sobre o Palácio de Schönbrunn aqui.

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O malaca* Executivo da Dolce & Gabbana

*Malaca – Pessoa aproveitadora, safada, que só quer as coisas na mão. Espertalhão.

Aconteceu em Roma, na Itália, em janeiro de 2008, última semana dos 40 dias de mochilão pela Europa.

Estávamos eu, minhas companheiras de mochilão e nosso amiguinho roommate gaúcho caminhando exaustos ao longo da extensa Via Cavour em direção ao nosso alberguinho trash (sem exageros, o albergue era um lixo. Mas isso é assunto para outro post!).

Percebemos um carro diminuindo a velocidade e baixando o vidro ao nosso lado na calçada. Era um senhor pedindo informação. Eu e nosso amiguinho gaúcho, que assim como eu tinha estudado italiano um tempo, doidos para colocar nosso italiano em prática, nos oferecemos para orientar o senhor perdido.

O tiozinho era simpático, falante, vinha de Nápoles e estava desorientado, coitado, em busca do Termini (a principal estação de trem de Roma, que fica no final da via Cavour). Ele percebeu que não éramos italianos (óbvio!) e ficou ainda mais feliz quando descobriu que éramos brasileiros por que, que coincidência!, a esposa dele era brasileira também.

Nosso novo amigo napolitano estava com muita pressa, e também muito agradecido por termos lhe ajudado, então decidiu nos recompensar de alguma forma. Ele perguntou se conhecíamos a grife Dolce e Gabbana.

“Si, si, chiaro, come no!”

A essa altura, já estávamos todos achando a conversa do cara meio sem nexo, o comportamento dele excitado demais só por ter conhecido um grupo de conterrâneos de sua ‘esposa’. Eis que ele deflagrou golpe final, revelando sua farsa:

“Vejam só que sorte! Sou executivo da Dolce e Gabbana e acabei de receber essas roupas da coleção passada para doar. [E começou a jogar as roupas pela janela, nas nossas mãos] É uma forma de agradecer pela sua gentileza! E vocês são conterrâneos da minha esposa! Tomem, levem tudo, levem!”

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Beautiful Stranger – O Episódio no metrô de Viena

Quem já viajou para um lugar onde se fala um idioma diferente do seu provavelmente irá  se identificar com essa história de alguma forma. 🙂

Aconteceu em Vienna – Áustria, já nas últimas semanas do mochilão que fiz pela Europa no final de 2007 e começo de 2008.

Estávamos eu e minha amiga de infância no metrô de Viena, seguindo para a estação do belo bairro Karlsplatz, onde fica a famosa igreja Karlskirche (na foto acima) e outros edifícios monumentais como a Escola Evangélica, a Universidade Técnica de Viena e o edifício principal do Museu de Vienna. Conversávamos distraidamente e animadamente naquele tom de voz que, para nós cearenses, é considerado baixo/normal, mas na Europa onde as pessoas são mais reservadas – especialmente no inverno – nem tanto.

Em uma das estações que o metrô parou ao longo do caminho, entrou um belo rapaz todo arrumado com aquele visual de executivo, sério, de óculos com um sobretudo super-elegante e uma pasta executiva na mão. Para nossa sorte, o rapaz sentou-se em um dos bancos do lado oposto ao nosso do corredor, porém de frente para nós. Eu e minha amiga nos entreolhamos com aquela cara de boboca (tipo, hummmmmm), e continuamos nosso papo enquanto o rapaz lia o jornal concentrado. Todavia, era impossível ignorar o rapaz por que ele não parava de olhar para nós, e dava umas risadinhas como se estivesse lendo alguma coluna de humor.

Eu, com meu espírito de palhaça, não consegui me conter, e fiquei fazendo graça com minha amiga, soltando uns comentários a la ‘cantada de pedreiro’ indiretamente para o rapaz, em português, é claro. Na Áustria o idioma falado é alemão, então seguimos fazendo nossas brincadeirinhas do tipo “Mamãe adoraria te conhecer”, “Moço, você está de parabéns”, sem intenção que o rapaz ouvisse, afinal ele estava concentrado lendo o jornal. E bem, mesmo que ele ouvisse não entenderia por que duh, ele tinha uma aparência tipicamente germânica – e estava lendo um jornal em alemão.

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A Companhia Certa

Pode parecer uma escolha óbvia: Férias > Viagem > Diversão = Amigos e Família. Certo? Nem sempre.

Muitas vezes temos em mente nossas companhias para viajar antes mesmo de definir o destino. Nada mais natural afinal, como diz o ditado “não importa o lugar desde que se esteja com a companhia certa”. E é exatamente esse ponto que quero comentar. A companhia errada pode arruinar seu passeio, sua viagem dos sonhos.

Daí você pensa: “Mas como meu melhor amigo, uma pessoa que eu amo, com quem me dou bem, pode arruinar minha viagem?”

Resposta: Interesses diferentes.

Veja bem, por mais que você queira ter seu melhor amigo/mão/pai/namorado junto com você em todos os momentos, tem-se que tem em mente alguns aspectos importantes, pequenos detalhes que fazem a diferença durante uma viagem, especialmente aquelas de duração mais longa.

Posso citar vários exemplos:

  • Um quer caminhar e ver as paisagens, o outro quer ficar horas dentro de museus, galerias e bibliotecas;
  • Um quer experimentar a cultura e descobrir o dia a dia do local, o outro quer visitar somente os pontos turísticos clichês;
  • Um quer aproveitar os atrativos do local, o outro só pensa em fazer compras;
  • Um quer andar o dia inteiro e descansar à noite, o outro quer guardar as energias para a balada;
  • Um quer fazer todas as atividades rapidamente para aproveitar o máximo de atrações, o outro prefere aproveitar o que der, sem pressa;
  • Um gosta de viajar sem muito planejamento, desfrutar das surpresas que aparecem ao longo da viagem, o outro é extremamente metódico e tem planejado na ponta do lápis cada passo que vai dar;
  • Um prefere roteiros luxuosos, com hospedagens caras e confortáveis, outro faz mais a linha natureba aventureiro e prefere economizar na acomodação para gastar nos passeios;

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Bem-vindos!

Creio que a melhor forma de começar é me apresentando. Sou Alessandra, Arquiteta de formação e apaixonada por viagens desde que me entendo por gente. Para mim, viajar é como estar dentro de um filme, participando ativamente dele. Viajo no sentido literal e no sentido figurado, pois além do deslocamento físico, minha imaginação também viaja, exercitando os sentidos cada vez que experimento uma comida nova, cada vez que vejo pessoas, paisagens, manifestações culturais diferentes, cada vez que escuto uma música que não conhecia e sinto na pele diferenças climáticas. É uma experiência sensorial e social.

Quando me proponho a conhecer outros lugares, procuro me despir dos “pré-conceitos”, procuro ficar aberta a novas experiências. Viajar é planejar, mas também é se deixar surpreender pelo inesperado, afinal grande parte do que vai ficar na memória são exatamente os sustos e surpresas boas.

Gosto de planejar cada detalhe das minhas viagens e registrá-las em caderninhos (meus diários de bordo), em fotografias e trazendo para casa pequenos souvenirs. Planejar uma viagem é começar a curtir a viagem antes mesmo dela acontecer!

Histórico

Como mencionei acima, não sou profissional da área de Turismo ou Hotelaria ou afins. Ao longo da minha vida tive oportunidade de conhecer vários lugares no Brasil e no mundo através de viagens de passeio, intercâmbios estudantis e de trabalho.  Cada uma delas foi especial à sua maneira e me enriqueceu culturalmente além de me garantir experiência, descobrir macetes que tornaram minhas viagens seguintes mais fáceis e prazerosas.

A seção Destinos tem uma lista contendo todos os lugares por onde passei, organizados por data e países. Cada um deles vai conter fotos, curiosidades, minhas impressões sobre os lugares e, é claro, informações úteis para quem pretende conhecer esses lugares. 😉

Sejam bem-vindos e até a próxima!